Para saber mais
Jornalistas & Cia. comenta iniciativa de Webdocumentário
Jornalistas & Cia., publicação especializada no mercado de comunicação, dirigida a profissionais de imprensa e de comunicação corporativa, traz esta semana nota sobre o site Webdocumentário. Comenta o lançamento do serviço pela Cross Content e cita o projeto Rio de Janeiro: Autorretrato, em preprodução pela empresa.
Veja a nota:

Jornalistas & Cia nº 729, 3 a 9 de fevereiro de 2010
Webdocs como trabalhos de conclusão de curso
Para quem quiser conhecer um pouco da produção universitária de webdocs no Brasil, sugiro uma visita ao blog da estudante Emanuelle Adacheski, de Ponta Grossa (PR).
Ela colecionou uma série de links para webdocumentários feitos a título de TCC (a lista nessa página tem também links para webdocs comerciais estrangeiros).
Vale a visita.
“Encontrar o dispositivo interativo adaptado à história”
Alexandre Brachet, produtor da Upian, de Paris, deu uma entrevista ao site do terceiro Festival Européen des 4 Écrans, realizado em novembro, em que tenta conceituar melhor o que é webdocumentário.
Veja uma tradução livre abaixo e, a seguir, o vídeo (em francês).
“Minha definição de webdocumentário não é utilizar a Internet como uma segunda tela de televisão, mas sim construir um documentário a partir de um trabalho de autor com um conjunto de ferramentas que a Internet disponibiliza: imagens, sons, texto, voz em off e também – e sobretudo – links, bases de dados, linguagem de programação…
Não se trata de inovar por inovar. Trata-se de encontrar o melhor dispositivo interativo adaptado à história que se quer contar.
Em Gaza Sderot, o conteúdo e a forma estão intimamente ligados. A barra no meio, que faz as vezes de separação, pode ser vista como um paralelo, pode ser vista como uma fronteira, cada um pode interpretar livremente. Ela é, sobretudo, uma ferramenta de navegação que permite passar de um lado a outro. Neste caso, o design também conta a história. ”
- Leia também: Mas, afinal, o que é webdocumentário?
Webdocumentários no Brasil
E no Brasil, o que há de produção de webdocumentários? A resposta depende do critério de definição de webdocumentários.
Há muitos trabalhos por aí que se apresentam como webdocumentários, mas, na verdade, são documentários exibidos pela web. Ou seja, são vídeos lineares publicados na rede. Não inovam na narrativa nem estabelecem interação com o internauta/espectador.
Entendendo webdocumentário como um sistema multimídia mais elaborado, por enquanto não há muita coisa produzida no Brasil, infelizmente.
Vale citar trabalhos relativamente “antigos” da estatal Agência Brasil. Na área Grandes Reportagens do site deles há uma série de materiais, uns mais tradicionais, outros mais elaborados, que caminham na direção dos webdocumentários.
Meus destaques vão para Analfabetismo: a Exclusão pelas Letras, de 2009, e Nações Palmares, de 2007, ambos vencedores do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Nos dois, a estrutura visual e o “roteiro” ainda são mais simples do que nos similares americanos ou franceses, mas o caminho é claro.
Além disso, há vários trabalhos de webreportagem, que usam vídeos e fotos mas têm predomínio de texto. Há conteúdos muito interessantes desse tipo, como Crônica de uma Catástrofe Ambiental. Mas, na minha opinião, não são exatamente webdocumentários.
Por tudo isso, a proposta da Cross Content é produzir webdocumentários realmente interativos, lineares e multimídia. Veja mais sobre nosso trabalho em Webdocs da Cross Content.
Webdocumentário agora no Twitter
Você pode acompanhar as novidades o site Webdocumentário também pelo Twitter.
Publicaremos lá as principais notas deste blog, mas não só isso. Também colocaremos novidades e comentários rápidos sobre o tema.
Webdocumentário ganha força em todo o mundo
O aumento da importância dos webdocumentários pode ser medido não apenas pelo crescente número de projetos – que você poderá acompanhar aqui –, mas também pelo reconhecimento institucional.
O tradicional festival de fotojornalismo Visa Por L’Image, cuja 21ª edição foi realizada em setembro de 2009 em Perpignan, na França, incluiu pela primeira vez a premiação de webdocumentários. O vitorioso foi Corpos Aprisionados, um relato da rotina dos detentos no sistema prisional francês.
Também na França aconteceu, de 18 a 20 de novembro de 2009, o terceiro Festival Européen des 4 Écrans. Pela primeira vez, os webdocumentários estiveram em competição.
Por último, o celebrado Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, cuja edição de 2009 foi realizada em novembro, abriu espaço para exibição de webdocumentários por meio do programa DocLab.
A indústria das prisões nos Estados Unidos
O site da TV francesa France 24 trouxe recentemente uma interessante reportagem sobre o crescimento do webdocumentário no país. Toma como exemplo principal a produtora Upian, criadora de Gaza/Sderot. O mais recente trabalho da empresa é Prison Valley, que será exibido pela Arte.tv.
Prison Valley retrata o negócio gerado em torno do sistema prisional americano, mantido sob concessão pela iniciativa privada. Com 36 mil habitantes, Fremont Count, no Colorado, é o vale das prisões do título. Lá, convivem lado a lado 13 centros de detenção.
O webdocumentário foi mostrado em primeira mão no festival internacional de documentários de Amsterdã, em novembro, mas ainda não está disponível para o público. Para saber mais sobre o projeto, visite o blog.
Abaixo, a reportagem da France 24 (em francês).
E agora o trailler de Prison Valley (em inglês):
Mas, afinal, o que é webdocumentário?
Boa pergunta. Como fenômeno recente, ainda carece de literatura e de reflexão teórica a respeito. Também não tem fórmulas prontas e consolidadas – e, diga-se de passagem, isso é muito bom.
De uma forma bastante simplificada, pode-se arriscar dizer que um webdocumentário é um “sistema” multimídia, normalmente acessado pela Internet, que reúne informações em diferentes formatos – textos, áudios, vídeos, fotos, ilustrações e animações – a respeito de um tema específico, permitindo ao espectador o controle na navegação, a interação e a participação.
Em primeiro lugar, o termo webdocumentário costuma ser associado a um “sistema” único, ou seja, um produto cultural pensado de maneira específica e não em linha de produção. É isso que diferencia, por exemplo, um webdocumentário de uma reportagem multimídia em um site noticioso, assim como um documentário de cinema é diferente da cobertura de TV de um mesmo acontecimento. Normalmente, o webdocumentário tem projeto visual exclusivo. Usa uma interface própria como parte da criação de sua identidade. Também costuma ter uma ideia narrativa e um roteiro concebidos especificamente para cada tema.
Em segundo lugar, um webdocumentário é algo multimídia por excelência. O uso da fotografia estática, muitas vezes associado a narração em off, é um elemento importante em diversos projetos recentes. Também nota-se uma grande ênfase nos efeitos sonoros – outra diferença em relação às webrreportagens tradicionais. E, obviamente, há também um uso intenso de vídeos e áudios. O texto escrito, mais do que um coadjuvante em legendas e elementos de navegação, assume parte importante da narrativa, o que afasta qualquer paralelo com produtos exclusivamente baseados em vídeo.
Em terceiro lugar, o webdocumentário costuma ter um tema fechado e específico. Não é, portanto, um “portal multimídia” para diferentes assuntos. Mesmo quando um webdocumentário é composto por episódios – unidades de conteúdo que vão sendo agregadas à interface inicial –, ele costuma se dedicar a um só tema.
E por último – e mais importante – o webdocumentário tem como característica essencial o rompimento da linearidade típica da narrativa do cinema e da televisão. Por meio das escolhas que faz ao navegar, o internauta deixa de ser apenas um espectador e passa a definir seu percurso pela obra, escolhendo o que ver, quando ver e em que ordem ver. Ele pode interagir e, mais do que isso, pode ser coautor, não apenas agregando comentários, mas participando da própria produção de conteúdo.
Em resumo, o webdocumentário está para a narrativa não ficcional assim como a web 2.0 está para os portais tradicionais. Trata-se de uma nova forma de contar histórias, um novo jeito de interagir, um novo espaço para pensar a produção de informação on-line.
Cross Content inicia produção de seu primeiro webdocumentário
A Cross Content já deu início à produção de seu primeiro webdocumentário. Rio de Janeiro – Autorretato mostra a história de um grupo de profissionais formados pela Escola de Fotógrafos Populares, da ONG Observatório de Favelas.
Em uma das cidades mais bonitas do mundo, em um dos ambientes mais violentos do mundo, eles encontram poesia, cor, luz e esperança em cada clique. Retratam as alegrias do dia a dia e as dificuldades de quem convive com a violência e com condições urbanas precárias. Um Rio de Janeiro longe das imagens dos cartões postais, mas, por isso mesmo, uma cidade muito mais real e humana.
O webdocumentário está em processo de preprodução e levantamento de recursos. Deve ser lançado no primeiro semestre de 2010.
Mouse e pipoca, por que não?
Aumente o volume da sua curiosidade. Ligue o seu radar para novidades na web. Sintonize em novas ondas da produção multimídia.
Bem-vindo ao site/blog Webdocumentário. Este é um espaço dedicado a um nascente – e promissor – formato de produção multimídia.
Com fotos, áudios, textos, vídeos e animações aliados à interação e à possibilidade de navegação da Internet, o webdocumentário é uma nova forma de expressão. Um novo veículo. Um novo jeito de pensar a produção visual e textual. Uma fusão de tudo o que existe na web – e mais um pouco.
Neste site/blog, você ficará informado do que acontece no mundo do webdocumentário. E acompanhará também os trabalhos da Cross Content nesse sentido.
Boa parte dos posts será dedicada a mostrar exemplos de webdocumentários legais de todo o mundo (Para ver). Esperem, portanto, muitos links e muito material para ver e comentar. Mas este espaço também trará textos de discussão sobre o assunto (Para pensar) e de informações e entrevistas com realizadores de todo o mundo (Para saber mais).
Então prepare o mouse – e a pipoca – e embarque nessa.
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