Resenhas
Índia em silêncio
A Magnum Photos é uma cooperativa internacional de fotografia fundada em 1947 por nomes como Robert Capa e Henri Cartier-Bresson. Hoje uma das mais prestigiosas agências de fotografia do mundo, a Magnum se desenvolveu quebrando barreiras para sobreviver, excepcionalmente, por seus mais de 60 anos.
O projeto In Motion é parte dessas revoluções permanentes que adequam as propostas da agência para a atualidade. Trata-se do estúdio multimídia da Magnum, reunindo narrativas visuais de curto formato que utilizam combinações de fotografias, áudio, vídeo, elementos gráficos e interatividade. Temas como a guerra, pobreza e desenvolvimento humano estão retratados em mais de 100 webdocumentários disponíveis até agora, que criam novas dimensões para a tradicional narrativa fotográfica. Todos foram realizados por fotógrafos renomados, membros aprovados no exigente processo seletivo da agência.
In Silence, de Susan Meiselas retrata os passos de Kiran Yadav, 25 anos, falecida após o nascimento de seu filho. Comissionado pela ONG internacional de direitos humanos Human Rights Watch, o filme se desenvolve por meio de fotografias, vídeos e depoimentos em off de familiares da vitima. Recursos textuais também são incorporados para dar um panorama geral das condições da clínica onde Kiran deu a luz, ou dados estatísticos afirmando que 75 % das mortes maternais poderiam ser prevenidas.
Todos os elementos são muito bem organizados na montagem, resultando em um vídeo sólido e afetuoso. A mixagem de som, efeitos sonoros, vídeos – e sobretudo as expressivas fotografias de Susan Meiselas – são impecáveis. Não poderia ser diferente; a elevada qualidade técnica/estética são uma constante nos webdocumentários da In Motion. Nesse caso, a proposta audiovisual é adequada à sensibilização que o vídeo comandado pela ONG quer causar: como Kiran, milhares de outras mulheres morrem em silêncio.
Nem todos os webdocumentários produzidos pela Magnum In Motion são realizados a pedido de ONGs ou entidades de direitos humanos. Existem também trabalhos autorias com criticas sociais ou abordagens histórias. No site, pode-se navegar entre ensaios relacionados, embora os links entre eles ainda sejam fracos.
Entre tantos trabalhos disponíveis, a grande vantagem que apresenta o projeto é a possibilidade de compartilhamento de conteúdo, prática conhecida em inglês como “syndication”, onde o material de um site é disponibilizado para ser incorporado em outros web sites. A técnica costuma ser benéfica para os dois: enquanto o incorporador de conteúdo consegue agregar um material profundo com alta qualidade de informação, tornando seu site mais atraente, o site produtor consegue expor seus produtos e circular extensivamente em diversas plataformas on-line. Relações simbióticas no campo do webdocumentário.
In Silence
Produção: Magnum In Motion
Encomendada por: Human Rights Watch
Distribuição: Magnum In Motion
Em inglês
Reportagem 360 graus – Por trás da camuflagem
Detrás del Camuflado é a quarta publicação no projeto Reportaje 360, lançado pelo jornal El País da Colômbia. A intenção é criar um novo formato para o jornalismo, buscando maior profundidade nas abordagens, com um visual dinâmico, interativo e documental.
O primeiro projeto da série, Cali, La Ciudad que No Duerme, foi comentado em janeiro pelo site Webdocumentário, com destaque para as limitações da arquitetura de interface e a abordagem mais jornalística que documental do projeto. Entretanto, o formato das produções do Reportaje 360 vem sendo aprimorado cada vez mais por seus jornalistas. O núcleo multimídia já havia publicado um bom produto sobre a folha de coca (La Hoja Sagrada) e agora se debruça sobre os trabalhos do exército colombiano nos campos de El Diamante, a 2.200 metros de altitude, com Detrás del Camuflado.
A interface é muito próxima daquela utilizada em Cali, La Ciudad que No Duerme, sendo este primeiro trabalho a base dos demais. Dessa forma, Detrás del Camuflado continua sem amarrar temas comuns, oferecidos aqui em cinco blocos distintos. A vantagem, desta vez, é a consistência do material em cada um dos blocos. Mesmo que as informações sejam recebidas pelo espectador de forma separada, cada bloco agrega um material suficientemente forte para a construção de um discurso documental.
Zona de Entrenamiento, por exemplo, retrata, em quatro vídeos de curta duração, algumas táticas de combate e treinamentos utilizados para transformar um jovem colombiano em um soldado profissional. Armamento e Indumentária ilustra de forma simples (com fotografias 360º) especificações técnicas e características especificas das armas e vestimentas utilizadas pelo exército.
A temática militar é controversa. Se os jornalistas escolheram determinada abordagem para debater o tema, a vantagem de aplicar o conteúdo em uma plataforma web é a experiência interativa que ela implica. Isso quer dizer que a participação do internauta é esperada, e o webdocumentário abre espaços para envios de comentários, vídeos e fotos, além de total compatibilidade para o compartilhamento do conteúdo em redes sociais. Contudo, como frequentemente, o que se observa são muitos elogios e apologias ao filme, com pouco debate. Enquanto equipes aperfeiçoam o saber-fazer de novos conteúdos multimídias, é necessário preparar o espectador para esses novos formatos. Afinal, é na interatividade e na comunicação, nos efeitos da rede e na inteligência coletiva, que se encontra todo o potencial dos webdocumentários.
Detrás del Camuflado
Produção: Núcleo Reportaje 360
Distribuição: Jornal El País, de Cali (Colômbia)
Em espanhol
Dilemas ao pé do muro
Em fevereiro, Webdocumentário mostrou Zhang, a Juventude Chinesa, um dos quatro filmes lançados naquele mês para o projeto Retratos de um Novo Mundo (Portraits d’um Nouveau Monde), da France5. O tema era China, uma superpotência a qualquer preço (La Chine: une super-puissance à tout prix). Passados dois meses, o canal disponibilizou esta semana um segundo tema: Imigração: um mundo cada vez mais misturado… ou dividido? (Emigration: un monde de plus en plus métissé… ou cloisonné?).
Ao Pé do Muro (Au Pied du Mur) é um dos quatro lançamentos do momento. Se a temática do mês é o debate sobre os efeitos da imigração, o filme realizado por Romain de L’Ecotais mostra as perspectivas mais negativas para as relações internacionais no nosso século. O webdocumentário retrata a situação da cidade de Tijuana, fronteira entre o México e os Estados Unidos, onde todos os dias pessoas são presas ou até morrem tentando atravessar a divisa.
Um muro, construído em 1994 pelos Estados Unidos para impedir a entrada de imigrantes, é o objeto central do filme. Divisor de fronteiras, ele é também um muro ideológico, impedindo a entrada de subdesenvolvidos nos EUA. “Atravessar a fronteira é uma simples formalidade com o passaporte francês”, afirma o narrador do filme.
Mesmo que o filme mostre também a associação Anjos da Fronteira, que procura sensibilizar o governo e a opinião publica sobre os as questões da imigração, propondo uma reforma na política migratória, seu poder político fica minimizado diante do forte crescimento do sentimento de nacionalismo americano.
As ambiguidades de um mundo globalizado e a dificuldade de encontrar seu lugar na sociedade são partes do testemunho deixado pelo filme. Além dele, a série sobre imigração conta outros três webdocumentários. Todos estão disponíveis na página de entrada do projeto Portraits d’um Nouveau Monde. Nesse endereço, o internauta pode acompanhar os lançamentos, o que já foi produzido e o que está por vir nesse projeto que quer contar um pouco da história do nosso século por meio de 24 webdocumentários.
Au Pied du Mur
Parte da série Retratos de um Novo Mundo
Produção: Narrative
Distribuição: France5
Em francês
s ao pé do muro
France 5 lança webdocumentário que debate os limite das imigração no século 21
Em fevereiro, Webdocumentário mostrou Zhang, a Juventude Chinesa, um dos quatro filmes lançados naquele mês para o projeto Retratos de um Novo Mundo (Portraits d’um Nouveau Monde), da France 5. O tema era China, uma superpotência a qualquer preço (La Chine: une super-puissance à tout prix). Passados dois meses, o canal disponibilizou esta semana um segundo tema: Imigração: um mundo cada vez mais misturado… ou dividido? (Emigration: un monde de plus en plus métissé… ou cloisonné?).
Ao Pé do Muro (Au Pied du Mur) é um dos quatro lançamentos do momento. Se a temática do mês é o debate sobre os efeitos da imigração, o filme realizado por Romain de L’Ecotais mostra as perspectivas mais negativas para as relações internacionais no nosso século. O webdocumentário retrata a situação da cidade de Tijuana, fronteira entre o México e os Estados Unidos, onde todos os dias pessoas são presas ou até morrem tentando atravessar a divisa.
Um muro, construído em 1994 pelos Estados Unidos para impedir a entrada de imigrantes, é o objeto central do filme. Divisor de fronteiras, ele é também um muro ideológico, impedindo a entrada de subdesenvolvidos nos EUA. “Atravessar a fronteira é uma simples formalidade com o passaporte francês”, afirma o narrador do filme.
Mesmo que o filme mostre também a associação Anjos da Fronteira, que procura sensibilizar o governo e a opinião publica sobre os as questões da imigração, propondo uma reforma na política migratória, seu poder político fica minimizado diante do forte crescimento do sentimento de nacionalismo americano.
As ambiguidades de um mundo globalizado e a dificuldade de encontrar seu lugar na sociedade são partes do testemunho deixado pelo filme. Além dele, a série sobre imigração conta outros três webdocumentários. Todos estão disponíveis na página de entrada do projeto Portraits d’um Nouveau Monde. Nesse endereço, o internauta pode acompanhar os lançamentos, o que já foi produzido e o que está por vir nesse projeto que quer contar um pouco da história do nosso século por meio de 24 webdocumentários.
Parte da série Retratos de um Novo Mundo
Produção: Narrative
Distribuição: France 5
Em francês
Prison Valley: um road movie interativo
Prison Valley, que estreou hoje (22) no site da Arte.TV é uma das propostas de webdocumentário mais completas já produzidas. Para retratar um condado americano e sua economia completamente associada às 13 penitenciárias ali presentes, os realizadores levaram a noção de interatividade e documentário a um altíssimo grau de complexidade.
Após o primeiro vídeo de introdução, o espectador é logo convidado a se registrar em uma pensão real/virtual, criando uma nova conta no site ou utilizando uma conta já existente no Facebook ou Twitter. Dessa forma, o visitante pode salvar seus passos, sabendo quais caminhos já percorreu na narrativa e assim continuar de onde parou em futuras conexões. A idéia deve ajudar também os criadores a divulgar o projeto, visto que quem loga pelas redes sociais pode também autorizar feeds sobre a visita ao site.
Na sequência, o visitante é alojado em um quarto, que servirá como uma espécie de base para a experiência audiovisual. Dali se pode visitar fóruns de discussão, pesquisar documentos coletados durante a narrativa (fotos, vídeos, textos, sons), listar e desencadear discussões sobre os personagens que aparecem no filme, continuar a trajetória ou até mesmo bater papo com outros visitantes que estão naquele momento conectados ao site.
Toda essa criatividade na plataforma poderia ser ineficaz se os autores tivessem negligenciado a construção de uma narrativa documentária, o que felizmente não ocorreu. Com um recorte consistente e um trabalho de campo bem construído, os vídeos por si só já valem a visita. Pouco a pouco, a cidade e seus personagens vão sendo inseridos e relacionados em um profundo debate político econômico e social sobre a indústria gerada pelo sistema prisional americano.
A linguagem performática, com um narrador-autor comentando em off as situações e os encontros enfrentados na realização do documentário, deixa o espectador muito próximo da experiência de visitar a cidade. Um mapa-satélite detalhado, localizando geograficamente cada vídeo, potencializa ainda mais esse efeito.
Embora a proposta de Prison Valley seja ver os vídeos sequencialmente, o internauta tem toda a liberdade para, a qualquer momento, recorrer e se aprofundar nos temas que apresentados que mais lhe interessarem. A cada novo vídeo assistido, documentos extras vão sendo depositados no quarto do visitante. Assim é possível conhecer mais sobre personagens específicos, como Brenda, esposa de um detento, e Douglas Micco, detento indígena que alega inocência, além de acessar estatísticas sobre a indústria carcerária, depoimentos sobre trabalho na prisão, textos sobre a produção de vinho nas penitenciarias ou fotografias do “Museu das Prisões”.
Se webdocumentários ainda não haviam configurado um sistema de representação próprio, Prison Valley mostra que os limites ainda estão longe de serem alcançados.
Prison Valley
Produção: Upian
Distribuição: Arte.TV
Em inglês, francês e alemão
Le Monde traz o corpo em evidência com Le Corps Handicapé
Depois de Le Corps Incarcéré (O Corpo Encarcerado), webdocumentário em que quatro detentos falam sobre seu cotidiano nas prisões francesas – grande prêmio de webdocumentário no festival Visa Pour l’Image 2009 (Festival Internacional de Fotjornalismo de Perpignan, na França), o jornal francês Le Monde segue apostando em novos formatos para a escrita jornalística. Le Corps Handicapé – Vivre Aprés L’Accident (O Corpo Deficiente – Viver Depois do Acidente) também explora questões sociais e políticas nas quais o corpo é o elemento central, mas dessa vez, a paralisia é o tema da produção.
Regina, Philippe, Jerôme e Nicolas tinham uma existência banal, mas suas vidas se transformaram depois de um acidente. Primeiro veio o trauma, as semanas ou mesmo meses passados em um leito de hospital. Depois, começa o trabalho de reeducação, no qual eles têm que aprender a viver com um novo corpo e seus limites. No webdocumentário, eles falam sobre seu cansaço, seus sofrimentos e suas esperanças.
Com o mesmo perfil interativo e multimídia da produção anterior, Le Corps Handicapé se apropria quase que integralmente da antiga interface. Traz vídeos formados por narrativa fotográfica acompanhada da voz dos protagonistas. São cinco capítulos e dezenas de subcapítulos associados às entrevistas dos quatro participantes, além de depoimentos de especialistas. Com essa estrutura, Le Monde transforma seu leitor em internauta, deixando-o livre para circular de uma fala à outra e construir sozinho o discurso na web.
A estratégia vem dando certo. Le Monde se apropria da linguagem do documentário para se aproximar de temas quase inacessíveis à imprensa no dia a dia, oferecendo um panorama fragmentado, mas coerente, capaz de compensar o afastamento comum do discurso jornalístico clássico em relação a temas mais delicados.
Le Corps Handicapé – Vivre Aprés L’Accident
Produção e distribuição: Le Monde
Em francês
China, do sonho à realidade
Zhang tem 24 anos. Seu sonho é ser ator de cinema. Sua realidade é a luta pela sobrevivência em Pequim.
Vindo da Mongólia Interior com o desejo de prosperar na capital, Zhang enfrenta as hostilidades da grande cidade e as dificuldades do “comunismo de mercado” chinês. Largou a escola com 16 anos e aos 17 estava em Pequim. Sua primeira ocupação foi como vendedor ambulante de alimentos. Ganhava o equivalente a R$ 75 por mês – mas podia comer o ravióli que vendia e tinha alojamento fornecido pelo empregador.
Descontente, caiu numa promessa de dinheiro fácil e acabou se vendo preso numa fábrica de tijolos, há duas horas de trem de Pequim. O trabalho escravo, sem qualquer pagamento, se estendia por 12 a 13 horas por dia, sempre sob vigilância constante. Conseguiu fugir de lá depois de um mês – graças a uma doença que o deixou de cama no dormitório, longe da supervisão dos “patrões”.

Sem dinheiro, jovens chineses dormem numa lan house...
De volta a Pequim, fez um pouco de tudo, mas continuava alimentando o sonho do cinema. Ficou então sabendo que os cineastas recrutavam figurantes na porta dos estúdios de Pequim.
Mas a empolgação dos primeiros trabalhos não dura muito: um figurante não ganha mais do que R$ 5 a R$ 7,50 por dia de trabalho e às vezes têm de amargar dias de espera até conseguir uma ponta em alguma produção.
Com esse dinheiro, não conseguia pagar aluguel. Passava as noites dormindo recostado numa cadeira de uma lan house, ou mesmo nas mesinhas do McDonald’s.

...ou recostados nas mesinhas do McDonald's
Passada a experiência malsucedida dos estúdios, Zhang arrumou um emprego fixo de porteiro de hotel. Mas não desistiu. Espera juntar algum dinheiro para voltar a viver o sonho do cinema – o sonho da sua vida.
Zhang, a Juventude Chinesa faz parte da série Retratos de um Novo Mundo, o mais ambicioso projeto de webdocumentários atualmente em produção. Trata-se de um conjunto de 24 projetos comissionados pelo canal de TV francês France5 e coordenados pela produtora Narrative, que por sua vez lançou editais para buscar trabalhos de produtores independentes de todo o mundo.
No momento, estão no ar quatro webdocumentários que compõem o primeiro tema da série: a China. Além de Zhang, há China, o Caminho da Desertificação, Concubina e Bem-vindo à Chináfrica.
Os outros cinco temas, programados para ir ao ar entre abril e dezembro, são: imigração, urbanização, economia, ecologia e vida a dois.
Zhang, a Juventude Chinesa
Parte da série Retratos de um Novo Mundo
Produção: Narrative
Distribuição: France5
Em francês
Série conta os 50 anos da independência dos países africanos
As primeiras cenas lembram até o clássico Eu um Negro (1958), de Jean Rouch.
Afrique: 50 Ans d’Indépendance, cujo primeiro episódio, sobre a República dos Camarões, foi ao ar esta semana no site da Arte.tv, começa com dois moradores de Yaoundé mostrando a capital do país aos internautas.
A partir do aeroporto, Reezbo e Eboo, integrantes do grupo de rap Ak Sang Grave, convidam o espectador a conhecer pontos turísticos e bairros populares da cidade. Enquanto descrevem os locais, discutem os 50 anos da independência dessa ex-colônia francesa e entrevistam os moradores sobre presente, passado e futuro.

Eu, um Negro - 1958
Em Eu, um Negro, é um morador de Abidijan, capital da Costa do Marfim, que toma o papel de condutor do espectador. Foi um marco do cinema em vários aspectos.
Em uma época em que a tomada de som sincronizado com a imagem durante a cena era tecnicamente inviável, Rouch inovou ao incluir uma narração em off feita pelo personagem principal, que vai descrevendo as próprias cenas de que participou e fazendo comentários por vezes sarcásticos.
Além disso, Rouch misturou documentário e ficção ao colocar moradores reais transformados em personagens de sua própria história.
As semelhanças param aí, mas Afrique: 50 Ans d’Indépendance promete ser um destino interessante para o internauta ao longo de todo este ano. A série será formada por 12 episódios mensais – um por ex-colônia – marcando o cinquentenário da independência das nações que viveram sob domínio francês.

Afrique: 50 Ans d'Indépendance - 2010
Neste episódio inicial sobre Camarões, a solução do narrador-guia divide espaço com entrevistas no formato tradicional.
Um recurso interessante permite ter acesso a informações complementares aos vídeos – como textos e fotos – sem interromper a exibição das imagens. O único senão é que é difícil voltar a esses conteúdos complementares, que ficaram fora da navegação principal.
Afrique: 50 Ans d’Indépendance – Cameroun
Primeiro episódio de uma série de 12
Produção: Arte Reportage
Site web: Interval
Distribuição: Arte.TV
Em francês
A Colômbia não dorme no ponto
Na América Latina, a Colômbia é o país que mais tem se destacado na realização de webdocumentários e afins. Em 2008, uma produção do gênero feita pelo jornal El Tiempo havia levado o Premio Rey de España.
Agora, outro jornal local, o El País, resolveu se voltar ao produção multimídia. Criou um núcleo de trabalho batizado Reportaje 360, do qual já saíram até o momento três trabalhos. O primeiro, que também dita o estilo dos demais, é Cali, la Ciudad que No Duerme.
A trilha sonora roqueira, o visual noir e o vídeo acelerado na tela de abertura dão bem o tom do material. Cali apresenta personagens e cenários da vida noturna na cidade. Ouvimos o depoimento do taxista, conhecemos os passeios ciclísticos pela madrugada e acompanhamos a rotina do médico plantonista.
As informações chegam de diversas maneiras. Na seção Personagem, estão as entrevistas em voz off, acompanhadas de vídeos (poucos) e fotos em preto e branco. Na seção Galerías 360, as fotos panorâmicas ganham pequenos textos explicativos, criando uma espécie de infográfico animado. E em Cali Virtual, navega-se por meio de mapas temáticos.
A qualidade das fotos e a atratividade visual da interface escondem, no entanto, uma limitação da arquitetura: embora os temas sejam os mesmos nas diversas seções do site, não há links entre eles. Um internauta que acompanha o depoimento da ciclista Beatriz Eugenia Castro, por exemplo, poderia ser avisado de que há mais sobre o assunto nas Galerías 360 ou nos mapas de Cali Virtual. Mas é obrigado a descobrir isso sozinho.
A falta de amarração da interface também tem, de certa forma, um paralelo no conteúdo. As informações estão todas lá, mas não há uma interpretação maior, um ponto de vista, uma “tese” a defender. Em outras palavras, Cali, la Ciudad que No Duerme é uma reportagem jornalística, mais do que um documentário. Algo obviamente esperado, vindo de um núcleo que tem esse nome, ligado a um jornal local. E que não invalida o mérito do material.
Para este mês, o jornal promete a publicação de fotos e vídeos enviados pelos internautas – reforçando a interatividade que, no momento, está restrita à publicação de comentários.
Cali, la Ciudad que No Duerme
Produção: Núcleo Reportaje 360
Distribuição: jornal El País, de Cali (Colômbia)
Em espanhol
Berlim, para ler e rever
A rede de notícias France 24, tentativa de CNN francesa que transmite em inglês pela TV, aproveitou a efeméride recente para montar The Fall of the Wall, um webdocumentário sobre os 20 anos da queda do muro. Não é muito extenso nem muito profundo, mas tem uma estrutura simples e eficiente que vale a visita.
Em termos de navegação, destaque para o interessante uso de textos complementares aos vídeos. Sem interromper as imagens, é possível abrir um layer com pequenas informações complementares.
De qualquer forma, fica a dever a outros webdocumentários baseados em efemérides – recentes, mas já referência do gênero, como Tiananmen Generation (mais detalhes sobre este projeto em breve neste espaço).
The Fall of the Wall
Produção: Tandem Production Berlin
Distribuição: France 24
Em inglês
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